27 de fevereiro de 2025 - Quinta com cineclube
O INQUILINO
— Feche a janela! gemeu Élie, puxando
o cobertor até o queixo. Você ficou louca?
— Está com cheiro de doente aqui!
retrucou Sylvie, cujo corpo nu se erguia entre a cama e a janela cinzenta. Como
você transpirou esta noite!
Élie fungou, encolheu seu corpo
magro, enquanto a mulher penetrava na luz quente do banheiro e fazia borbulhar
a água da banheira. Durante alguns minutos, era inútil falar, pois o barulho
das torneiras dominava todos os ruídos. Com um olho aberto, Élie olhava ora
para a janela, ora para o banheiro. A janela era fria, de uma brancura
traiçoeira. As pessoas que haviam se levantado cedo sem dúvida viram a neve
cair. Mas eram onze horas, e os flocos não se desprendiam mais do céu amarelado
que pairava sobre os telhados de Bruxelas. Ao longo da avenida do Jardim
Botânico, os postes ainda estavam acesos, assim como as luzes das vitrinas.
Do seu lugar, Élie via muito bem a
avenida negra e lustrosa, onde os bondes seguiam numa caravana. Também avistava
o jardim botânico, e as placas de neve que resistiam, o lago meio congelado e
três cisnes imóveis em um resto de água escura.
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