20 de março de 2025 - quarta feira de equinóxio
Chegada do outono. O tempo virou.
Almoço com seu Roberto, calheiro
Corte de cabelo com Douglas
Aline chegou para a defesa de tese no dia seguinte. Delicada e graciosa como sempre, e não como nesta fotografia horrível.
Percorro, com atenção maior ou menor, o livro que Bea Esteves escreveu para seu 80º aniversário. Livro bonito, luxuoso. Ela escreve pequenas crônicas, snippets, como chama. É muito rica - enorme propriedade na Chácara Flora, "little appartment in Zurich", esplêndida casa - nada luxuosa - mas com enorme terreno em Trancoso, e vá saber o que mais - foi casada com um latifundiário baiano, produtor de cacau, me revela o livro. Agora, seu marido, Pepe Esteves, espanhol, industrial não sei bem do quê, completou 100 anos.
Bea é adorável, sem nada das dondocas milionárias, inclusive sem plástica, e com um sorriso muito aberto e sincero. Cultured, adora a ópera - foi ela quem me encomendou dois libretos - e fazia montagens em sua casa, pondo a orquestra na piscina esvaziada. Amiga de Bob Wilson, de quem ela gosta de exibir as mensagens. Descobri que gosta também de tênis. Odeia o Lula - e nunca entendi como ele pode inspirar tanto ódio. Odeia num nível surpreendente, chegando a chamar Janja de floozie, ou seja, puta, ou quase isso.
Os snippets de Bea formam um diário dos últimos anos. Penso na minha necessidade de fazer este diário. Nada para a posteridade, que não mereço e não merece, e tudo para mim, que estou com 77 anos. Até quando terei cabeça e memória?
Felipe manda esta mensagem para mim. Ele tem razão no que concerne os caminhos estúpidos que a história da arte tomou no Brasil. Culpa-me de tê-lo desviado da economia. Mas é alguém que não se conforma com as perdas trazidas por quaisquer escolhas. Se tivesse feito economia, estaria também choramingando por alguma coisa que poderia ter feito. Quer sempre le beurre et l'argent du beurre.
Leio o canto 21 da Divina Comédia, boa edição didática e comentada. Bela comparação das fossas cheias de piche, com os arsenais de Veneza. Diabos de nomes engraçados, e o supremo chamado de Malebranche (que, suponho, se se leia Malebranque). Canto dos que prevaricam nos cargos públicos. Termina-se com o verso magnífico: Ed elli avea del cul fatto trombetta!
Doi Everybody Loves Raymond. Num deles Franck tem que escolher entre o prazer sexual e o prazer gustativo... ele, e Marie, preferem o gustativo.
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