08 de abril de 2025 - Terça-feira de Hamlet
Ontem, Hamlet de Ambroise Thomas no Met, 2010, com Simon Keenlyside e Jeniffer Larmore. Um esplendor, ótima montagem de Moshe Leiser and Patrice Caurier (muito melhor do que a Italiana in Algeri, que eu vi no festival de Salzburgo), regência de Louis Langrée. Final de Bonynge, em que Hamlet morre da ferida de Laerte, infelizmente. A ópera é impressionante, e as críticas por comparação com Shakespeare são superficiais: ela parte da adaptação de Dumas. Toda tragédia é marcada pelo pecado original do assassinato. Ao invés do foco na melancolia e na incapacidade de agir do herói, é o mundo que se desregulou, como nas tragédias gregas. Hamlet é condenado a reinar. Não é um Fortimbras (cujo nome parece uma ironia: Ferrabrás) truculento que salva o reino da podridão. É Hamlet que continua a podridão ao reinar. Ao invés de um Trump-Parsifal restaurador e purificador, a angústia de continuar apenas com o que é possível. Um grande obra.
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